jueves 26 de febrero de 2009

Em busca da Brasilidade

Affonso Romano de Sant’Anna


"Que país é este?" - José de Alencar
"Que país é este?" - Machado de Assis
"Que país é este?" - Deputado Francelino Pereira
"Nenhum Brasil existe. Acaso existirão os brasileiros?" - Carlos Drummond de Andrade


O Brasil tem mudado de pele. E, certamente, de ossatura. Sendo um ser em metamorfose, há 500 anos, é legítimo que o Brasil de hoje não seja exatamente o de ontem, assim como o de amanhã não será o de agora. Isto contraria uma definição de brasilidade entendida como uma "essência", algo imutável, idêntica a si mesma no fluir dos anos. E introduz uma inquietação e complexidade: o sentimento de "brasilidade" é diferenciado diacrônicamente conforme o momento histórico percorrido, assim como é diverso num mesmo instante sincrônico,conforme as cabeças que pensam o Brasil.

Qual a diferença entre o que ia na cabeça de Martim Afonso de Sousa na primitiva São Paulo do sec. XVI e o que vai na cabeça de um industrial paulista hoje? Qual a diferença (ou identidade?) entre a visão de Anchieta e Nóbrega e as ações políticas e sociais da Igreja Católica em nossos dias? Em quê o Brasil de Machado de Assis é diferente do de Guimarães Rosa? Niemeyer diz vir de uma tradição barroca. Mas quais as diferenças e identidades entre ele e Aleijadinho?

Diria que, diacrônicamente, o sentimento de brasilidade conheceu pelo menos três instantes específicos: o da defesa da territorialidade, o da expectativa imperial e da consciência nacionalista. E que agora, ao cruzarmos para o século XXI, está sendo de novo redimensionado

A incorporação da territorialidade coincidiu com os nossos três primeiros séculos: o colonizador aqui radicado, tendo exterminado e/ou dominado os índios, percebeu que o seu destino e o da terra eram o mesmo. O inimigo mais ameaçador vinha do exterior: os holandeses, os franceses e os corsários que queriam aqui estabelecer entrepostos e colônias.

Com a Independência em 1822 a consciência imperial se configura e domina o resto do sec. XIX. Exemplifica-se em guerras de fronteira, que reafirmam a territorialidade e marcam os avanços geo-econômicos e políticos. Os inimigos não vinham mais da Europa, mas eram nossos vizinhos(Paraguai, Argentina,etc.). Caxias e Rio Branco são emblemas da consciência de territorialidade associada à consciência imperial.

No sec. XX, sobretudo a partir dos anos 20 e 30, e depois nos anos 50, 60 e 70, com os monopólios estatais, a exacerbação nacionalista propiciou uma alteração neste quadro. A ameaça não era mais guerreira nem fronteiriça, mas econômica. Brasilidade e nacionalismo se confundiram e iniciou-se uma verdadeira disputa ideológica para ver que partido, que líder ou quem era mais e melhor brasileiro. O modernismo literário com comunistas e integralistas, a disputa entre esquerda e direita, são trilhas nessa estrada.

Esses três instantes mencionados podem, no entanto, se superpor. Defesa da territorialidade, expectativa imperial e consciência nacionalista, em maior ou menos escala, podem estar no Padre Vieira que pensava no advento do Império de Cristo sediado nos povos de língua portuguesa ou nos intelectuais modernistas que reeditaram o mito expansionista dos bandeirantes e queriam um "Brasil grande", tanto quanto os generais presidentes, como Geisel.

Se os anos 80, através da mística da "cidadania" trouxeram a batalha pelos direitos de "minorias" e "excluidos", é possível que os anos 90 estejam sendo um outro momento de inflexão na metamorfose da brasilidade: a entrada na globalidade, força a revisão da consciência nacionalista, cobra uma autocrítica da vocação imperial e confronta a territorialidade real com a territorialidade virtual da era da internet.

Até o final do sec. XIX, por outro lado, a brasilidade era um atributo da elite branca a que tiveram direito os imigrantes que aqui aportaram. Formalmente os ex-escravos negros passaram a se habilitar a ela a partir de 1888 com a lei que os libertou. Os índios apenas no sec. XX, com o Marechal Rondon, começaram a ser convocados para a brasilidade e forçam mais ainda sua participação a partir dos anos 80.

Sintomáticamente na passagem dos anos 70 para os 80, uma pergunta pairou no ar envolvendo a questão da brasilidade. E aí, os brasileiros explícitamente nos perguntávamos angustiadamente - "Que país é este?". Descobriu-se,então, que em Machado de Assis havia a mesma pergunta numa de suas crônicas. E a mesma indagação estava literalmente escrita num texto de José de Alencar. Isto nos faz supor que Tiradentes lutando pela independência e André Vidal de Negreiros pelejando contra os holandeses também se punham a mesma questão. Mas evidentemente teriam respostas diferentes para a própria perplexidade.

Daqui a cem, duzentos, trezentos anos se poderá fazer outro relatório do Banco do Brasil sobre este tema. O país já não será o mesmo, embora os intelectuais procuremos o ontem no hoje e queiramos projetar o hoje no amanhã. A pergunta será a mesma, mas as respostas serão necessariamente diferentes. A menos, é claro, que ocorra episódio semelhante ao do fim do Império Romano e o mundo se reorganize de outra forma, talvez sem as nacionalidades como as conhecemos hoje. Com efeito, na Europa, Africa e Asia, neste século, países trocaram de fronteira e de nomes, outros surgiram e desapareceram. E há caso de comunidades como a dos judeus, dos palestinos e dos ciganos que existiram ou existem até sem território. Neste sentido, a América tem sido privilegiada, pois tem mantido seu mapa sem grandes tranformações nos últimos séculos.

No livro "Caráter nacional brasileiro" Dante Moreira Leite reuniu os muitos conceitos de brasilidade expressos desde nossas origens até a metade deste século. É um painel amplo e contraditório. Essa contradição ou dialética sempre existiu. Os autores românticos eram ufanistas. Os modernistas viraram o Brasil pelo avesso, radicalizaram a questão e até chegaram, como Drummond, a duvidar se o Brasil e os brasileiros realmente existiam.

Nas últimas décadas mais teorias surgiram, diferenciando e enriquecendo esse acervo. E assim o país se contrói entre ufanismo e crítica, entre paráfrase laudatória e paródia crítica. O sec. XXI está aí. É possível até que ele já tenha começado quando caiu o muro de Berlim e a internet descentralizou de vez a informação e redestibuiu as fontes de poder.

Ao se fazer a pergunta sobre a brasilidade hoje, de uma coisa pode-se estar certo: a brasilidade não se contenta mais com a territorialidade satisfeita, não se exercita mais numa vocação imperial, não se basta nas disputas nacionalistas. Algo de novo está se configurando. E a primeira condição para se ver o novo é saber assinalar, destacar, descartar ou rearticular o que ficou velho.

Quem tem ouvidos, ouça, e quem tem olhos, veja, diz o pregador.

http://www.poeticas.com.ar/directorio/Poetas_miembros/Affonso_Romano.html

http://www.geocities.com/artuso.geo/est08.htm

miércoles 25 de febrero de 2009

Ciencia Ficción: nuevos generos

A mediados de la década de 1960, en el siglo XX, Gene Roddenberry revolucionó la ciencia ficción con “Star Trek” generando un universo cuya ficción prometía anticipar un futuro que llegaría en el siglo XXIV. Era un relato sobre el futuro de la humanidad que Gene vislumbraba bajo la forma de una utopía socialista en la que la “frontera final” se encontraba “donde ningún hombre ha llegado jamás”. El universo trek se constituyó en una matriz discursiva para todos los relatos de ciencia ficción que se generaron durante cuatro décadas, al mismo tiempo que su impacto cultural, en una época en que el mundo era todavía un archipiélago, anticipaba la actual globalización.

A fines del siglo XX, Michael Straczynski produjo un acontecimiento con la producción de la serie “Babylon 5”, ya que aunque todavía estaba presente la matriz discursiva trek introducía algunos cambios conceptuales en la configuración del relato: la ciencia ficción convivía con una matriz discursiva de tipo místico en la que la razón y la fe luchaban en cada personaje y se acoplaban en un mundo futuro donde desaparecía la utopía socialista y aparecía combinado un gigantesco avance tecnológico con la pervivencia de formas de subjetivación contemporáneas. El universo “Babylon 5” no tuvo el alcance de masas de Star Trek pero anticipó una transición hacia un nuevo paradigma al mismo tiempo que las sociedades disciplinarias y modernas transitaban hacia las actuales sociedades de control y posmodernas.

En cuanto al campo discursivo de la ciencia ficción todo parecía augurar un eterno retorno de lo mismo, una ausencia de nuevos modelos conceptuales, e incluso su desaparición. Hasta que apareció J. J. Abrams a principios del siglo XXI.

Las series “Lost” y “Fringe” son la nueva ciencia ficción, totalmente renovada tanto en sus aspectos éticos y estéticos como en su fundamento conceptual. No transcurren en el futuro sino en el presente, no están protagonizadas por hombres y mujeres excepcionales sino “comunes y corrientes”, y transcurren en nuestra actualidad donde precisamente los “grandes relatos” y las “utopías socialistas” parecen haber desaparecido para dar lugar a la “era del vacío”. Es que la revolución tecnológica ya está entre nosotros y a través de sus dispositivos ha hecho que el futuro se haga presente, y estas series nos muestran precisamente como somos productos de esa “tecnociencia” y que lo improbable o aún lo imposible se encuentran a la vuelta de la esquina.

Tanto “Lost” como “Fringe” suponen una matriz discursiva en la que lo que se pone en juego ya no es el futuro sino el presente, y en la que la ausencia de certezas que paradójicamente produce la tecnociencia, se combina con la apelación al “destino” y a la necesidad de llenar el vacío de la nuda vida con “un salto de fe”. Quizás el mismo “salto de fe” que científicos como Michio Kaku, Stephen Hawcking, Carl Sagan, y tantos otros plantean como absolutamente necesario para comprender sus propias prácticas y, mejor aún, los efectos de sus prácticas. Pero entiéndase bien. No se trata de un discurso que propone estigmatizar la ciencia y los avances tecnológicos sino de llamar la atención sobre su transformación en tecnociencia. No se trata de un revival romántico que plantea la vuelta a un idílico “paraíso perdido” sino de un llamado de atención para que afrontemos el presente tal como es y hagamos algo con él antes que la vida tal como la conocíamos se vuelva irreconocible y nos convierta en meros apéndices maquínicamente “perfectos”.

Se trata además de un discurso que apunta a dejar al descubierto una nueva trama de relaciones de poder y saber manufacturada por las nuevas fracciones dominantes globalizadas cuyo objetivo es el cuerpo humano: biomedicina, bioquímica, biotecnología, biocombustibles, realidad virtual, etc. que nos subjetiva dócilmente en nombre de la “mejora de la raza humana”. Una “mejora” cuyo precio es la utopía realizada del control social absolutamente incorporado en nuestras vidas.

Entonces, la revolución conceptual de la ciencia ficción que plantea Abrams, a diferencia de las matrices preexistentes, sostiene una postura política que a través de la ciencia ficción plantea la crítica radical de un estado de dominación cuya forma está cambiando y cuyo cambio no percibimos porque ya no es algo que pasa “fuera” de nosotros sino “en” nosotros.

“Lost” y “Fringe” constituyen, en este contexto, ese rayo en la noche del que hablaba Foucault para definir lo que era la transgresión. Son algo que ocurre en la oscura y densa noche y que, al iluminarla fugazmente, la hacen aparecer. Para que la veamos, la desconozcamos, y nos reconozcamos. Para que la noche ya no sea, aunque sea por un instante, aquella en la que todos los gatos son pardos y en la que "detrás del telón no hay nada".

Descamisados

He aquí un singular documento que derrumba uno de los mitos más fecundos del peronismo, el que atribuía a Perón haber inventado el título de “descamisados” para sus seguidores y más aún, el de haber invertido la carga estigmatizante y negativa de la interpelación por una identificatoria y positiva. En otras palabras, Perón tomó la idea de Eduardo Wilde y la hizo pasar como propia; claro, no solo por razones de “propiedad intelectual” sino también porque Wilde no era precisamente un líder de las masas populares sino uno de los políticos e intelectuales más lúcidos de la “oligarquía porteña” de fines del siglo XIX y principios del XX.

Saquen ustedes sus propias conclusiones.



"Descamisados"
Eduardo Wilde (Ministro de Instrucción Pública de Julio A. Roca)
Publicado en "Diario La República", Buenos Aires, 12 de abril de 1874

La prensa mitrista llama "descamisados" a todos los que no son partidarios de su ídolo. Esa prensa podrá reconocer la pobreza de los individuos que insulta, que son argentinos, que tienen derecho a participar de las conmociones de su patria y a concurrir para la formación de sus poderes. Pero si los individuos del pueblo que van a dar en tierra con el poder y con la influencia del caudillo y la aristocracia son descamisados, ¿quién les habrá robado la camisa? ¿Por qué, siendo argentinos, se encuentran desheredados en su propia Patria? Los que ahora nos insultan llamándonos descamisados, quizás viven en suntuosos palacios o en casas regaladas que se compran con el dinero que se cercenó a nuestro salario. Quizá los que después de habernos desnudado se ríen de nuestra desnudez, se visten lujosamente con el dinero que la Nación había destinado para que fuéramos bien alimentados en las campañas, y para que no entráramos hambrientos a las batallas, donde debíamos llenar los deberes del soldado para sostener la grande y ruinosa política. Quizás los que insultan a los pobres trabajadores del pueblos señalándoles su miseria, han conseguido conducirlos a ella, destruyéndoles su familia al arrebatar del hogar al que la mantenía; quizá el descamisado que recorre las pulperías consumiendo lo que gana en el día es conducido a la abyección y a la miseria por los que le hicieron abandonar a sus hijos y a .su esposa imponiéndoles la ración de hambre y desolación que quita todo los encantos de la vida.

Si los descamisados hablaran, cuántos opulentos nos señalarían que ostentan su lujo en cambio de la desnudez que procuraron. Los descamisados no son mitristas. Los mitristas tienen camisa, casa, alimentos y dinero. ¿Es acaso porque trabajan más o porque no tienen vicios?

No, ellos son también los descamisados de la víspera que el oro de los proveedores ha vestido. Ellos son los individuos del pueblo que gozan de un sueldo mensual salido ya sabemos de dónde y que se les paga por ser mitristas, por sostener a Mitre, por votar por él, por elevarlo, por servir a la empresa que quiere hacer de ‚él un presidente que sangre de nuevo al pueblo para convertir sus adeptos en millonarios. Ellos son también los descamisados de la víspera que tomarán una profesión lucrativa: la de ser mitristas. Si no se escondiera en cada uno de nuestros descamisados un tesoro de abnegación y de virtudes, ellos no sufrirían la vergüenza de oír insultar su miseria. Nuestros descamisados saben dónde se encuentran las camisas que harían bien a su cuerpo.

Preferimos nuestros descamisados que la abnegación arrastra, a sus compañeros de la víspera vestidos hoy gracias al oro de los empresarios de candidaturas. Los descamisados que no se procuran camisas a cambio de su conciencia, irán hoy a los atrios con su pecho descubierto a dar su voto por los electores que han de elegir un presidente que no haga guerras, que no haga surgir como nuevas industrias las proveedurías y que no persiga los derechos de las provincias. Nuestros descamisados expondrán hoy sus pechos descubiertos a las balas de los revólveres lujosos y a los filos de los puñales con que la plutocracia de Buenos Aires ha amado a sus afiliados. Esos descamisados que volvieron desnudos de los campos de batalla en que quedaron muchos de sus compañeros, enseñarán hoy a los insultadores y a su jefe indolente que están dispuestos mantener sus derechos y a conseguir que su voluntad soberana impere, porque son ellos, los descamisados, los miserables, a quienes queda como única fortuna su conciencia, los que forman el pueblo, la mayoría que arrastra una vida precaria en las ciudades, siendo siempre la primera en los sacrificios y en los gloriosos combates.

Recogemos el nombre o el apodo con que se pretende injuriar a los partidarios de nuestras ideas y nos lo apropiamos con orgullo. Somos los descamisados, no traficamos con nuestra conciencia, pero el sol que lucirá hoy no se ocultará en el horizonte sin presenciar nuestra victoria democrática, y los que pretenden insultar la miseria y la inquebrantable firmeza de los que no están con ellos, tendrán que estampar en sus periódicos esta consoladora noticia: ¡los descamisados han triunfado!

martes 24 de febrero de 2009

lunes 23 de febrero de 2009

Marcel Duchamp

(…) Los personajes transformados en cilindros, tímpanos, locuras o resortes ensamblados y pintados sobre el “vidrio” donde su representación en perspectiva se mezcla con los objetos situados detrás (el vidrio es una ventana) y delante (el vidrio es un espejo) no representan solamente, en el painting-glass-mirror que es La Mariée mise à nu de Duchamp instalado en la biblioteca de la casa de campo de Miss Dreier, la diseminación del sujeto de la pintura, sino el señuelo de la comunicación que promete la transparencia del cristal. Tragedia chusca del lenguaje: al estar mezclados ahí por un efecto óptico, estos elementos no son ni coherentes ni están unidos. El azar de las miradas que contemplan los asocia pero no los articula (…)

(…) Desde luego que es una erótica, deseo del otro ausente, es la única capaz de poner en marcha el aparato productor, pero busca cualquier cosa que nunca esté allí y que vuelve obsesiva la mirada del mirón atrapado por su Doble que se agita en medio de las cosas ofrecidas / rehusadas en el cristal-espejo. El espectador se percibe disperso entre lo inasible. La grafía pintada sobre el vidrio de Marcel Duchamp dibuja el efecto óptico del desnudamiento realizado por y para los mirones que jamás serán célibes. La visión designa y engaña la comunicación ausente. Otras máquinas célibes funcionan del mismo modo, al identificar el sexo con su imagen mecánica, y la sexualidad con una ilusión óptica (…)

(…) Se trata de agotar el sentido de las palabras, de jugar con ellas hasta violentarlas en sus atributos mas secretos, hasta pronunciar por fin el divorcio total entre el término y el contenido expresivo que reconocemos en él habitualmente. Desde entonces, lo importante ya no es el dicho (un contenido) ni el decir (un acto), sino la transformación y la invención de dispositivos, todavía insospechados, que permitan multiplicar estas transformaciones (…)


Michel de Certeau, La invención de lo cotidiano. Artes de Hacer, fragmentos del Capítulo X, “La economía escrituraria”.

domingo 22 de febrero de 2009

De Certeau: Robinson Crusoe

(…) Robinson Crusoe ya indicaba cómo se introdujo una falla en su imperio escriturario. Durante algún tiempo, su empresa se ve en efecto interrumpida, y atormentada, por un ausente que vuelve a los bordes de la isla. Es “la impresión del pie desnudo de un hombre en la playa”. Inestabilidad del deslinde: la frontera cede a algo extraño. Sobre los márgenes de la página, la huella de un fantasma invisible altera el orden que ha construido un trabajo capitalizador y metódico. Provoca en Robinson “pensamientos desquiciados”, “extravagancias”, y “terror”. El conquistador burgués se transforma en hombre “fuera de sí”, convertido él mismo en salvaje por el indicio (salvaje) que nada muestra. Está como loco. Sus sueños están poblados de pesadillas. Pierde sus certezas en un mundo gobernado por el gran relojero. Sus razonamientos lo abandonan. Expulsado de la ascesis productiva que hacía las veces de sentido, conoce días y días diabólicos, poseído por el deseo antropófago de devorar al desconocido o por el temor de que el devorado sea él mismo…

(…) Sobre la página escrita, aparece pues una mancha, como el garabato de un niño sobre el libro que es la autoridad del lugar. En el lenguaje se insinúa un lapsus. El territorio de la apropiación queda alterado por la huella de alguna cosa que no está ahí y que no tiene lugar (como el mito). Robinson reencontrará el poder de dominar cuando tenga la posibilidad de ver, es decir de sustituir el índice de una carencia con un ser comprensible, un objeto visible: Viernes. Entonces de nuevo se encontrará en su orden. El desorden, en sí, se debe al indicio de una cosa ya pasada y que pasa, al “casi nada” de un pasaje. La violencia que oscila entre el impulso por devorar y el terror a ser engullido nace de esto que, desde Hadewijch d’Anvers, aún puede llamarse una “presencia de la ausencia”. El otro, aquí, no constituye un sistema que estaría oculto bajo el que escribe Robinson. La isla no es un palimpesto donde sería posible revelar, descifrar y traducir un sistema recubierto por el orden que se le ha sobreimpuesto aunque del mismo tipo. Lo que se traza y pasa no tiene texto propio. Eso sólo se dice mediante el discurso del propietario, y sólo se aloja en su lugar. La diferencia sólo tiene como el lenguaje el delirio interpretativo –“sueños” y “extravagancias”- de Robinson mismo…

(…) La “ficción teórica” inventada por Daniel Defoe muestra así una forma de la alteridad relativa a la escritura, una forma que va igualmente a imponer su identidad a la voz, pues, más tarde, al aparecer Viernes, será sometido a una alternativa prometida de una larga historia: o bien gritar (desgarrón “salvaje”, que llama a la interpretación y a la corrección de un tratamiento pedagógico o psiquiátrico), o bien hacer de su cuerpo la efectuación de la lengua dominante (al volverse “la voz del amo”, cuerpo dócil que ejecuta la orden, encarna una razón y recibe como mandamiento ser un sustituto de la enunciación, ya no el acto sino el hacer del “dicho” del otro)…

Michel de Certeau, “La invención de lo cotidiano. Artes de hacer”, fragmentos del Capítulo XI, “Citas y voces”.

Lie to me (Series TV)

La nueva serie de FOX, aún no estrenada en la Argentina, está basada en una subdisciplina de la sociología del cuerpo que estudia el comportamiento humano a partir de “leer” los gestos corporales, es decir, el discurso hecho cuerpo. En cuanto me haga un poco de tiempo para verla les comento si vale la pena o no.

Más información en la página de la cadena FOX
http://www.fox.com/lietome/




jueves 19 de febrero de 2009

Brasilidade televisiva

Voyeurismo televisivo, reality shows e brasilidade televisiva
Suzana Kilpp
Professora e pesquisadora da UNISINOS
Introdução
Conforme argumentei na pesquisa que está na origem dessa, publicada em 2003 com o título Ethicidades televisivas, os sentidos identitários (todos e quaisquer, não apenas os dos sujeitos e os de pertença nacional) são uma questão fulcral e abrangente nos estudos de televisão, pois é em torno dela que gira o funcionamento dessa poderosa máquina de subjetividade. Decorre que as molduras e as moldurações em que a TV inclui (fagia), exclui (emia) e hierarquiza (atribui valor a) as ethicidades são fundamentais. Como a tevê enuncia esses sentidos (como ela cria esses mundos, que imaginário de mundos estão aí sitiados, quais são as subjetividades virtuais que deles fazem parte) é, por isso, a questão que articula as demais (...)
A brasilidade reality
No Brasil os reality shows operam fortemente sobre o imaginário televisivo de brasilidade, a brasilidade televisiva. Na seleção dos jogadores, na invenção dos traços personais de cada um, nos aspectos do vencedor que são ressaltados, nos discursos proferidos principalmente nos últimos programas, há uma série de enunciações sobre a brasilidade, no BBB mais do que na Casa. Admitindo que os reality shows remetem à cotidianidade dos mundos televisivos, eles são importantes lócus do televisivo (a imagicidade da TV), que, no Brasil, construiu-se conjuntamente à brasilidade televisiva. E são também o lócus por excelência do voyeurismo de uma TV (a brasileira) que deseja o desejo do outro, e que por isso faz a casa reality parecer ser a grande casa brasil.
Referências bibliográficas
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BERGSON, Henri. Matéria e memória. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
CANEVACCI, Massimo. A cidade polifônica: Ensaio sobre a Antropologia da comunicação urbana. São Paulo: Studio Nobel, 1997.
CHARAUDEAU, Patrick; GHIGLIONE, Rodolphe. A palavra confiscada. Um gênero televisivo: o talk show. Lisboa: Instituto PIAGET, 2000.
DAMATTA, Roberto. A casa e a rua. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
______. Carnavais, malandros e heróis. Para uma Sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
______. O que faz o brasil, Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
______. A forma do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
______. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1993
KILPP, Suzana. Ethicidades televisivas. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2003.
______. Mundos televisivos e sentidos identitários na TV. Cadernos IHU Idéias, São Leopoldo, v. 7, 2003.
LACAN, Jacques. O seminário. Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
LYON, David. El ojo electrónico. El auge de la sociedad de la vigilancia. Madrid: Alianza Editorial, 1995.
QUINET, Antonio. Um olhar a mais. Ver e ser visto na Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
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WOLTON, Dominique. Elogio do grande público. Uma teoria crítica da televisão. São Paulo: Ática, 1996.

sábado 7 de febrero de 2009

Sociologia (UBA): Catacumbas

Ingresé a la Carrera de Sociología de la UBA en el año 1980 un par de años después de que fuera reabierta; fuimos 80 ingresantes y aunque tuvimos que dar el examen de ingreso entramos todos porque el “cupo” era de 100. En esa época nos conocíamos todos y cuando se armaba una asamblea participaba el 80% de los estudiantes (más policías de uniforme, que pedían la libreta universitaria para ingresar, y “servicios” y policias de civil que no se preocupaban mucho por pasar desapercibidos). En esos años la Carrera disponía de 6 aulas ubicadas en el subsuelo de la Facultad de Derecho a las que llamábamos “las catacumbas”. Cursar Sociología en esos años era una verdadera práctica de resistencia porque el plantel docente era fascista en el sentido literal del término (digo cursar y no estudiar porque el estudio lo hacíamos fuera de la Facultad, donde nos formábamos a nosotros mismos leyendo todos los libros que no figuraban, desde luego, en ningún programa de estudios de ninguna asignatura).

De modo que la primera consigna de lucha que surge en esos años es la demanda de un “edificio” propio para la Carrera, y luego de la restauración democrática exigimos que fueran cesanteados todos los docentes de la dictadura. Nunca conseguimos “el edificio”, porque cada vez que nos cambiaban de sede ya quedaba chica y nuevamente había que pedir uno nuevo, así hasta el día de hoy. Lo que sí logramos fue que no quedara ni uno solo de los profesores fascistas (insisto, literalmente, no es metáfora ni exageración): sencillamente boicoteamos uno a uno todos los cursos hasta que tuvieron que renunciar o ser renunciados.

Cuando la dictadura militar impuso el arancelamiento de los estudios universitarios hicimos una asamblea y decidimos que nadie pagaría el arancel: algunos osados hicimos una fogata en la plazoleta que queda enfrente de Derecho y quemamos las famosas “chequeras” de pago. El movimiento fue tan masivo que en Sociología la enseñanza siguió siendo gratuita.

Otra demanda era “fuera la Intervención”, porque la Carrera tenía un Interventor incluso después de que asumiera el gobierno democrático de Alfonsín. Logramos que no hubiera interventores a partir de un drástico método: creamos un poder paralelo, una junta tripartita igualitaria conformada por los nuevos docentes, estudiantes y graduados que eligió un Director de la Carrera (Mario Margulis) que finalmente el Rector de entonces, Schuberoff, tuvo que aceptar. También tuvo que aceptar que a partir de ese momento la institucionalidad de la Carrera fuera una excepción a la regla: era la única en la que funcionaba una Junta igualitaria de los tres claustros (profesores, graduados, estudiantes) y que elegía a su Director en toda la Universidad de Buenos Aires.

Estas y otras demandas que logramos hacer realidad en esos años (entre el final de la dictadura y el inicio de la democracia) se debieron fundamentalmente a que fuimos los primeros en reorganizar y poner en pie el Centro de Estudiantes (Filosofía y Psicología nos siguieron meses después) y que a pesar del mosaico ideológico que nos diferenciaba siempre priorizamos la famosa “unidad en la lucha” y la ideología se dejaba para los debates en el café. Luego, lógicamente, todo eso cambió, sin embargo había un respeto de todas las agrupaciones políticas e independientes por lo que representaba el Centro de Estudiantes, que en esos primeros años estuvo liderado primero por el Partido Intransigente y luego por el “Frente del Pueblo”, esa alianza increíble entre el Partido Comunista y el Movimiento al Socialismo que ya existía en Sociología mucho antes que se inventara a nivel nacional.

En esos años, el Centro de Estudiantes no era “la fotocopiadora” como hoy, sino que existían las Secretarías que laburaban en lo que les correspondía y había, como corresponde, un solo presidente del Centro y no las presidencias colegiadas y por turnos que tuvimos en los últimos años. Y que terminaron convirtiendo al Centro en una fotocopiadora de mala calidad, y en un pequeño círculo de luchas ideológico-partidarias que alejaron a los estudiantes de su organización gremial.

Mis mejores recuerdos como estudiante, en esa época, giran alrededor de la actividad del Centro de Estudiantes de Sociología, el famoso y ya olvidado CES, en el que además de luchar, debatir, organizar, y transformar, éramos todos, poco más o poco menos, amigos. Quizás porque debíamos vivir, gran parte de nuestras vidas, en aquellas Catacumbas.

viernes 6 de febrero de 2009

Lost (Series TV) Theme - Música Lost







Superhombre argentino

Texto de una publicidad gráfica de 1917 del Tónico “SARGOL”; ayer el problema era ser flaco, hoy el problema es ser obeso. O ambas cosas a la vez, según la circunstancia y el producto que hay que vender. Y para cada producto hay que vender también una imagen del cuerpo perfecto. “Economía de la salud” o dicho en buen romance como hacer dinero construyendo representaciones sociales del cuerpo “normal”, “sano”, “deseable”, “saludable”. Un ejemplo de cómo el alma es la cárcel del cuerpo.

“El famoso filósofo y sociólogo Nietzsche, que tanto ha asombrado al mundo con sus teorías nuevas y avanzadas, sostiene, en una de sus obras más importantes, que el mundo debe evolucionar también respecto de la especie humana, eliminando de ella los individuos débiles y enfermizos, aunque sea menester suprimirlos violentamente, de suerte que queden los fuertes, sanos y robustos con los que se formarán las sociedades futuras a base del “superhombre”. Es posible que las iras de Nietzsche contra los delgados, que son exponente de la debilidad en las razas, fueran inspiradas porque en su época no se conocía otra solución al problema que la muy radical de extirparlos con la violencia, pues la alimentación nutritiva y en grandes dosis, no daba resultados satisfactorios, desde que los flacos no aumentan de peso a pesar de ingerir abundantemente, por la falta de asimilación. Para felicidad de ellos, la química, con seis sustancias necesarias para que el organismo digestivo y asimilador lleve sus funciones normales, permitiendo por medio de su empleo adquirir la fortaleza necesaria y hacer del hombre delgado y débil, propenso a la adquisición de todas las enfermedades, un sujeto robusto y sano. Este prodigioso descubrimiento químico, se encuentra hábilmente concentrado en un producto conocido como “Sargol” [...]. De venta en todas las farmacias.”

Caras y Caretas, Buenos Aires, Año XX, 29 de diciembre de 1917, Nº 1004.
Fuente: “Nietzsche en el imaginario argentino del siglo XX: dos momentos de una historia”, Mónica B. Cragnolini en: www.nietzscheana.com.ar/argentina.htm

jueves 5 de febrero de 2009

Magritte y Foucault

Reproduzco una de las cartas que el pintor surrealista René Magritte envió al filósofo Michel Foucault a propósito de la edición del libro “Las palabras y las cosas”. La carta está incluida en el libro de Michel Foucault “Esto no es una pipa. Ensayo sobre Magritte”. La pintura a la que se refiere Magritte en su carta es precisamente la que se conoce con el título de “Esto no es una pipa” (1929). Sobre este título, Magritte escribió: “El título no contradice al dibujo; afirma de otro modo”.



23 de mayo de 1966

Estimado amigo:

Espero que le complacerá considerar estas pocas reflexiones a propósito de la lectura que hago de su libro “Las palabras y las cosas”…

Las palabras “semejanza” y “similitud” le permiten sugerir con vigor la presencia –absolutamente extraña- del mundo y de nosotros mismos. Sin embargo, creo que estas dos palabras apenas están diferenciadas, y los diccionarios apenas son edificantes en cuanto a lo que las distingue.

Me parece que, por ejemplo, los guisantes entre sí tienen relaciones de similitud, a la vez visibles (su color, su forma, su dimensión) e invisibles (su naturaleza, su sabor, su peso). Lo mismo ocurre con lo falso y lo auténtico, etc. Las “cosas” no tienen entre sí semejanzas, tienen o no similitudes.

Ser semejante no pertenece más que al pensamiento. Se asemeja en tanto que ve, oye o conoce; se convierte en lo que el mundo le ofrece.

Es invisible, del mismo modo que el placer o la pena. Pero la pintura hace intervenir una dificultad: existe el pensamiento que ve y que puede ser descrito visiblemente. “Las Meninas” son la imagen visible del pensamiento invisible de Velázquez. ¿Sería, por tanto, lo invisible a veces visible? A condición de que el pensamiento esté constituido exclusivamente de figuras visibles.

A este respecto, resulta evidente que una imagen pintada –que es intangible por naturaleza- no oculta nada, mientras que lo visible tangible oculta indefectiblemente otro visible, si creemos en nuestra experiencia.

Desde hace algún tiempo se ha concedido una curiosa primacía a lo “invisible” debido a una literatura confusa, cuyo interés desaparece si tenemos en cuenta que lo visible puede ser ocultado, pero que lo que es invisible no oculta nada: puede ser conocido o ignorado, nada más. No hay por qué conceder más importancia a lo invisible que a lo visible, y a la inversa.

Lo que no “carece” de importancia es el misterio evocado de hecho por lo visible y lo invisible, y que puede ser evocado en teoría por el pensamiento que une las “cosas” en el orden que evoca el misterio.

Me permito proponer a su atención las reproducciones de los cuadros adjuntos, que he pintado sin preocuparme por una búsqueda original de pintar.

Cordialmente,

René Magritte


23 de maio de 1966

Prezado senhor,

O senhor fará o obséquio, espero, de considerar estas poucas reflexões relativas à leitura que faço de seu livro As palavras e as coisas...
As palavras Semelhança e Similitude permitem ao senhor sugerir com força a presença -absolutamente estranha -do mundo e de nós próprios. Entretanto, creio que essas duas palavras não são muito diferenciadas, os dicionários não são muito edificantes no que as distingue.
Parece-me que, por exemplo, as ervilhas possuem relação de similitude entre si, ao mesmo tempo visível (sua cor, forma, dimensão) e invisível (sua natureza, sabor, peso). E a mesma coisa no que concerne ao falso e ao autêntico etc. As "coisas" não possuem entre si semelhanças, elas têm ou não têm similitudes.
Só ao pensamento é dado ser semelhante. Ele se assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece, ele torna-se o que o mundo lhe oferece.
Ele é tão invisível quanto o prazer e a pena. Mas a pintura faz intervir uma dificuldade: há o pensamento que vê e que pode ser descrito visivelmente. As Damas de honra*são a imagem visível do pensamento invisível de Velasquez. O invisível seria então, por vezes, visível? Só com a condição de que o pensamento seja constituído exclusivamente de figuras visíveis.
A esse respeito, é evidente que uma imagem pintada – que é intangível por sua natureza –não esconda nada, enquanto o visível tangível esconde sistematicamente um outro visível – se cremos em nossa experiência.
Existe, há algum tempo, uma curiosa primazia conferida ao "invisível" através de uma literatura confusa, cujo interesse desaparece se se observa que o visível pode ser escondido, mas que o invisível não esconde nada: pode ser conhecido ou ignorado, sem mais. Não cabe conferir ao invisível mais importância do que ao visível, ou inversamente.
O que não “falta" importância é ao mistério evocado de fato pelo visível e pelo invisível, e que pode ser evocado de direito pelo pensamento que une as “coisas" na ordem que o mistério evoca.
Permito-me apresentar a sua atenção àsreproduções de quadros anexas, que pintei sem me preocupar com uma busca original no pintar.
Queira aceitar etc...
René Magritte

martes 3 de febrero de 2009

Ernesto García Posse


A la memoria de Ernesto García Posse

Ernesto Javier García Posse vivió su niñez entre rudos y humildes zafreros y lo más destacado de la elite social de la Provincia de Tucumán. Pudo haber sido un gran propietario de caña de azúcar y dueño de un Ingenio Azucarero pero antes de que tomara conciencia de ese posible futuro la fortuna desapareció y su vida tuvo necesariamente que encontrar nuevos rumbos. Por esas cosas de la vida desconozco cuando y dónde nació y como fue que llegó a Buenos Aires y se hizo primero nacionalista y luego peronista. Habrá sido buscando por aquí y por allá una “cuña” o un “rebusque” como el mismo decía en su jerga porteña de la década de los ’40 que nunca abandonó.

Por razones que también desconozco y que no vienen al caso, las relaciones entre mi padres y mi abuelo “Tito” (así lo llamábamos y lo llamaban todos) nunca fueron buenas, sino más bien tensas y problemáticas. Pero él, a pesar de esa situación, exigió que aunque sea una o dos veces a la semana pudiera verme a mí y a mis hermanos. Los domingos por la mañana venía a mi casa y nos contaba historias de su vida… a mediados de semana nos pasaba a buscar por el Instituto Cambridge de Cultura Inglesa (mis padres, como correspondía, exigían que aprendiéramos inglés, aunque nunca lograron el objetivo) y nos invitaba a comer una porción de pizza con faina en la calle Corrientes. Ahí hablábamos o más bien él hablaba de sus proyectos y de sus ilusiones, y nos daba consejos como si tuviéramos veinte y pico de años. Nunca tuvo “un mango” y su regalo de Navidad o de Cumpleaños era una apuesta mínima a la quiniela o un billete de lotería.
Así fue su vida y se le escapó la vida, caminando por la calle, vaya a saber uno corriendo detrás de que “fija” para el hipódromo o un “contacto” que lo sacaría de la ruina. Mi abuelo Tito tenía incorporado (ahora me doy cuenta) la argentinidad de la primera mitad del siglo XX en la sangre, con todos sus vicios y sus virtudes.

Una de sus historias involucraba a Juan Domingo Perón y a Evita. Perdonen las lagunas pero mi memoria nunca fue buena para los detalles, incluso dudo que toda la historia sea verídica, aunque estoy convencido de que mi abuelo estaba convencido de que las cosas habían sido como él las contaba.

Hacia el año 1945, desde su cargo en el Consejo Nacional de Educación, mi abuelo se había relacionado con el General Farell, en esa época presidente de facto del país, y a través de él había conocido al coronel Juan Domingo Perón. Nos contaba, una y otra vez, su propia vivencia en aquel histórico 17 de octubre que lo encontró dentro de la Casa de Gobierno y de las horas dramáticas que había vivido, con la muchedumbre rodeando la Rosada y el golpeteo incesante y amenazador sobre sus puertas.

Su experiencia peronista en la función pública sería breve. Perón lo dejó cesante a los pocos meses de iniciar su primera presidencia y nunca más se acordó de él. Sin embargo, mi abuelo estaba convencido de que había sido víctima de un misterioso complot, derivado de la supuesta intervención de Evita y relacionado con un ignoto nombramiento docente que él, no sé por qué razón, había "cajoneado" ignorando el ilustre padrinazgo que tenía el beneficiario. Eso creía él. Y toda su vida creyó que Perón había ignorado su destino y su suerte.

Extrañamente, su lealtad por Perón creció con el tiempo y nunca la abandonó.

- El General no debe saber lo que pasa - se repetía a sí mismo y nos repetía a nosotros.

Casi treinta años más tarde, en 1973, cuando el General regresaba finalmente a la Argentina, mi abuelo se las ingenió para colarse no sé bien en qué acto público donde Perón hablaría. Su objetivo era claro. Tenía que aprovechar la oportunidad para aclararle al Líder las verdaderas causas de su repentino alejamiento de la función pública y del Movimiento. Aunque parezca mentira, ¡mi abuelo pensaba que debía disculparse!

A fuerza de codazos y empujones logró finalmente acercarse a Perón cuando éste buscaba la salida, cercado por cientos de manos que querían tocarlo y por fornidos guardaespaldas que protegían su endeble humanidad del torbellino de personas que lo rodeaban.

- Mi General, soy Posse, ¿se acuerda de mí? yo no quise abandonarlo en el ´45, me cesantearon y...

- No hay problema -dijo el General- cómo no me voy a acordar de usted... llámeme y hablamos...


Mi abuelo buscó infructuosamente comunicarse con Perón. De todas formas ahora podía estar tranquilo. Perón lo había perdonado. Seguramente volvería a llamarlo en cuanto lo necesitara. Era solo cuestión de tiempo. Orgulloso, contaba una y otra vez sobre su relación con Perón. Pero el tiempo era algo que mi abuelo y Perón ya no tenían por delante.

Mi abuelo murió un par de años después que Perón, en 1975 (no estoy seguro). Y hasta su muerte nos contó una y mil veces esa historia, con el agregado de su último encuentro y de sus nuevas esperanzas.

Un día caluroso de verano la muerte lo encontró en plena calle, cerca de Congreso, caminando agitadamente, a pesar de su avanzada edad, por su Buenos Aires de quinielas, burros y charlas de café sobre la Argentina “de opereta” que ya no volvería a ver. No sabemos hacia donde iba tan ensimismado. Quizá solo buscaba un pasaje para viajar al cielo y allí, por fin, ponerse definitivamente a las órdenes del General.


lunes 2 de febrero de 2009

En caso de insurrección

Todo cambia. Nada cambia. Así funciona el devenir del juego social en su eterno retorno, a veces de lo mismo, a veces de lo nuevo. Así nacieron las “cajas de seguridad” en la Argentina. Inseguridad, robos, “pérdidas”, de objetos valiosos. Nada cambia. Y a la vez, llama la atención que la publicidad interpela a las mujeres y no a los hombres, y más aún esta inquietante enunciación de ciertos peligros que amenazaban el orden social en aquella Argentina de principios del siglo XX. Todo cambia.

“A prueba de fuego. Bombas. Robos. Absolutamente seguro en caso de insurrección”

domingo 1 de febrero de 2009

Lost (Series TV): el revés de la trama

El lector que no pudo ver todavía los tres primeros episodios de la quinta temporada de Lost puede optar por leer o no leer este comentario, no obstante, aclaro que no revelo ningún dato sobre el contenido de esos episodios.

Emitidos los primeros tres episodios de la quinta temporada de Lost los guionistas están demostrando a quienes decían que la serie iba a la deriva, de episodio en episodio, sin saber hacia dónde ni cómo, que estaban totalmente equivocados. Y también están demostrando que todos los análisis y teorías que los seguidores estuvimos haciendo durante cuatro temporadas estaban totalmente despistados. La cosa, entonces, era al revés. Los despistados no eran los guionistas sino los seguidores y los ex seguidores de la historia ficcional más compleja, verosímil, y realista que la ciencia-ficción ha producido en las últimas décadas.

Y también hay que decir, nobleza obliga, que nunca nos “engañaron” ni cambiaron “las reglas del juego”: entendíamos mal las reglas del juego porque presuponíamos que, a fin de cuentas, la realidad era la realidad y no un efecto de realidad. Lo mismo nos ocurre cotidianamente en nuestra propia vida, porque nuestras “cabezas” están ordenadas para pensar de acuerdo a una estructura definida por categorías que refractan nuestra percepción de lo social. Doy un ejemplo. El famoso lápiz que introducimos en un vaso lleno hasta la mitad de agua: lo vemos partido en dos por efecto de la refracción de la luz. Pero el lápiz sigue siendo el lápiz; luego, el problema no es el lápiz sino las condiciones en las que se encuentra el lápiz.

Sin embargo, (y no para mandarme la parte de sabiondo porque yo también me encuentro absolutamente sorprendido de lo erradas que estaban algunas de mis presuposiciones) en algo no me equivoqué: el meollo de la historia es algo que debe ser restaurado y el conflicto se resume en si podrá ser restaurado o no. Y como. Y a qué precio. Y por qué.

Como planteaba Lacan, el problema no está en la trama sino en el revés de la trama. Cuestión de perspectivas. La trama y el revés son una y la misma cosa, pero lo que da sentido a la trama es el revés, es decir, lo que siempre estuvo allí pero nunca pensamos en darle un vistazo.



Ahora entiendo el por qué de esta enigmática imagen